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Gagá Games : Diário de bordo: Festival RGB 2019 (ou “Como matar o Gagá do coração”) [fuente]


UPDATE: Quem foi o camarada que jogou Arcus Odyssey em co-op comigo? Apresente-se, please!

* * *

Vocês que são macacos-velhos aqui do Gagá Games certamente se lembram dos meus infames diários de bordo. Basicamente, eu pegava uma meia dúzia de piadas bem ruins sobre algum jogo e diluía ao longo de 377 posts diários sobre aquele jogo. Genial, eu sei, foi assim que fiquei rico e famoso.

Mas hoje não: hoje eu vou fazer um diário de bordo de um post só, com todas as minhas piadas ruins concentradas e um monte de fotos da minha cara horrorosa. É coisa pra quebrar a internet, vai ser o crash dos blogs, ninguém nunca mais vai querer ver um blog nem filtrado por uma framemeister.

Não sabe o que é framemeister? Então você definitivamente deveria conhecer a turma do RGB Inside. Trata-se de um grupo de cabeças pensantes e extraordinárias: Alex Figueiredo, Fábio Michelin e Fábio Santana. Gente doida, feia que nem eu, só que muito mais inteligente. Enquanto aqui no Gagá Games eu fico só fazendo análise de joguinho, gastando intermináveis parágrafos para associar Link e Carlos Drummond de Andrade, os caras do RGB Inside vão fundo no hardware e… gastam uma hora e vinte minutos para fazer uma “introdução” ao RGB. Ok, talvez a gente não seja tão diferente assim.

O fato é que esses camaradas estavam organizando um encontro, que já seria o terceiro. Em parceria com o canal Arcade Players, o encontro tinha como objetivo reunir entusiastas com suas TVs de tubo e placas extraordinárias de arcade. Só que aí o evento foi crescendo ao longo das semanas e acabou caindo nas graças da WarpZone, o supergrupo do Cleber Marques. O Cleber é um apaixonado por games que tem uma rede de contatos incrível. Numa boa, se você  se perder nos esgotos algum dia, manda um zap pro Cleber que ele vai te indicar algum crocodilo gigante nas redondezas para te mostrar a saída.

Com a entrada da WarpZone nesse negócio, o evento passou a se chamar Festival Retro Games Brasil 2019 e algumas figurinhas carimbadas do retrogaming brasileiro começaram a confirmar presença no evento. Como já tinha muita gente legal confirmada, o Cleber decidiu dar uma equilibrada nas coisas e chamar alguém muito chato: o Gagá!

Infelizmente, moro no Rio, o evento foi em São Paulo e eu não tava com grana para bancar essa viagem agora. Mas aí…

A viagem foi anteontem, sábado, 25 de maio, no dia do evento. Fui cedinho até o Aeroporto Santos Dumont embarcar na primeira viagem de avião da minha vida. E foi tranquila, eu juro. Só pensei que fosse morrer umas cinco vezes. Eu tava me sentindo um homem rico e famoso naquele avião, até a cretina da aeromoça chegar com o carrinho de lanches e me oferecer um pãozinho com goiabada. Pô, minha filha, pelo menos taca um Nutella nesse negócio aí!

Chegando em São Paulo, fui recebido no aeroporto por um grupo totalmente extraordinário: Mr. Cleber, o senhor WarpZone, que eu admiro profundamente; Eric Fraga, meu velho parceiro dos games há dez anos; Velberan, mito do YouTube brasileiro que é de uma baita simpatia na vida real; e Elton “Tiozão” Bz, que… tipo, passou o tempo todo infernizando a todos nós ^_^ Figuraça ele, figuraça!

Nós cinco entramos num carro e a diversão já começou ali mesmo. Todos eram muito, muito bacanas e o papo rendeu altas risadas. Paramos no meio do caminho para tomar um café, quando lutei contra meu impulso ridículo de fazer passarinhos de origami com guardanapos, e dali seguimos para o evento.

^ O Juan, do Snestalgia, é o que vocês veem no canal mesmo: um cara engraçado, simpático e muito gente fina — mas tá me devendo uns óculos iguais aos dele, e eu vou cobrar! ^_^

^ Junta um tradutor (eu) e um dublador (ele), dá nisso: o grande Marcelo “Salsicha” (não confundir com “a grande salsicha do Marcelo”)

Logo que saltamos do carro, surge ninguém mais, ninguém menos que Marcus Garrett. O homem, a lenda! Se você não conhece o Garrett, numa boa, vai pro inferno (sem ofensa, eu acho que vou pra lá também por outras razões). Observem o padrão que vai se repetir ao longo deste texto: Gagá vê uma lenda, Gagá fanboy quer apertar a mão da lenda, a lenda chega e dá um abraço antes do Gagá conseguir dizer qualquer coisa. Sim, meus amigos, ali no Festival RGB não tinha essa de batalha de egos e celebridades: era todo mundo fã de todo mundo.

^ Não satisfeito em ser o máximo, o Garrett ainda tem o nome do protagonista do primeiro Warsong!

^ O Max, à esquerda, está criando clones bizarros e impressionantes de computadores antigos, vocês ainda vão ouvir falar nele; o Julio Chiarini, à direita, era um dos mais simpáticos do evento!

Entrando no salão, você começava a topar com as maravilhas: MSX com trocentos jogos rodando a partir de um cartão SD, arcades clássicos com placas originais da época e consoles ligados a TVs de tubo através de aparelhos com dezenas de luzes verdes. Eu não sei para que serviam os aparelhos, mas eles certamente tinham a ver com RGB e crocância (TM Fabio Santana) de pixels. Tinha muita coisa legal e tudo estava muito bem organizado. Dava para transitar facilmente pelo local. Aliás, correção: era muito difícil transitar pelo local, porque a cada cinco passos que você dava, topava com alguém que admirava e tinha que parar para tietar. Teve uma hora em que eu disse “vou ao banheiro e já volto” e levei uns 50 minutos para chegar lá, porque pipocava gente boa direto pelo caminho.

^ Eric e eu com Arildo Mestre “você nunca vai ganhar de mim no Street Fighter” Ryu, o fenomenal louco perigoso Celso “Defenestrador” Affini e o amigo dos velhos tempos Leandro Vallina do Filmes e Games!

Notem que quando falo em tietar não estou falando só de gente que tem canal, que tem blog, que escreve livro. É claro que eu tietei muito essa gente, mas eu tô falando também daquelas pessoas que há anos conversam comigo sobre A Gazeta de Algol ou comentam no Gagá Games e nos vídeos lá do Cosmic Effect. Pessoas com as quais eu desenvolvi amizade, gente com a qual eu converso há 20 anos e nunca tinha tido a oportunidade de conhecer pessoalmente. Só por isso o Festival RGB já teria valido a pena, e eu imagino que todos vocês vivam uma situação parecida, porque a gente faz amizades virtuais com os criadores de conteúdo na internet e com as pessoas que estão sempre por lá consumindo o conteúdo junto com a gente. Ver toda essa gente reunida num lugar só foi de explodir a cabeça.

Todas as pessoas que vocês estão vendo nas fotos aqui foram muito, muito bacanas comigo. Todas mesmo, sem exceção, não é puxação de saco. Alguns vocês conhecem porque são celebridades para todos nós; outros, vocês podem não conhecer, mas são celebridades para mim. O Jorge Lucas, que aos 14 anos me procurou por conta do Gagá Games e virou um grande amigo meu; o Dan “Dcnauta Marvete”, que há anos me apoia com seus comentários aqui no blog; o “Shester”, amigo de 20 anos — 20 anos!!! – lá dos tempos do finado Fórum de Algol; o Ed Carlos, amigão antiiigo que eu adoro ter por perto. Pombas, foi difícil conter as lágrimas nesse evento. Aliás, foi tão difícil que eu não consegui mesmo ^_^

^ Jorge Lucas, o Macho Gamer, o Homão de Ferro… mas não tem jeito, para mim vai ser sempre o Jorginho. Aí eu chorei mesmo, confesso.

^ Holy shit, demorou tanto para eu conhecer o Shester que já tô quase mais careca do que ele! 20 anos de amizade, pessoal!

Acho que o grande lance do Festival RGB é que ele parece focado nas pessoas, nos fãs de games. É claro que você vai lá para ver os arcades, os jogos velhos, pode comprar uns cartuchos e coisa e tal, mas quando você vê um console ligado naquela aparelhagem toda, não vê só o console: você vê o dono dele, orgulhoso, apaixonado. Dá para sentir a paixão naqueles cabos e aparelhos todos, naquelas gambiarras doidas que os caras fazem, nos cartuchinhos customizados com entrada para cartão SD. Não é um ferro-velho de consoles e cartuchos velhos, tem um coração batendo dentro daquelas coisas todas. Uma Noite no Museu talvez seja uma boa analogia. Ali naquele lugar, as coisas ganham vida e é um lance muito louco.

^ Velberan streamando durante o evento e… olha, gente, eu já ouvi muita coisa estranha desde que comecei o Gagá Games, mas acho que vai ser difícil de superar o comentário em vermelho à direita ^_^

Como se já não bastasse, teve show do Mega Driver! Aquele metal gamer de primeira que vocês já conhecem, coisa fina — Altered Beast, Sonic, Thunder Force, Top Gear, os caras põem uma baita energia naqueles temas clássicos. Teve palestra também, com Alexandre Pagano, veterano da Tectoy; e Silvio Puertas, veterano da Romstar/Capcom (meu camarada Arildo “Mestre Ryu” parecia até meio comovido pela presença do Silvio).

Teve mais coisa também, mas foi difícil parar e assistir a qualquer coisa com tanta gente boa ao meu redor. Eu fiquei sinceramente comovido com algumas das coisas que ouvi no Festival RGB ontem. Ouvi coisas bonitas de verdade, coisas que não vou esquecer, e vi que alguns dos meus amigos criadores de conteúdo também ouviram. Mais do que isso: os fãs dos criadores de conteúdo também ouviram agradecimentos e coisas bonitas naquele lugar, porque o carinho que a gente recebe deles é tremendamente especial e a gente tem mesmo que ser piegas e dizer isso a eles.

^ Mário Cavalcanti, lenda-viva do MSX brasileiro! Além de um grande amigo, ele é editor da revista Clube MSX, que neste mês traz no pôster a inesquecível imagem de Charles Bronson no Death Wish 3 de MSX — e se você acha que eu estou fazendo piada é porque não viveu a época! Velho, eu amava aquela imagem “digitalizada” da abertura!

^ O Matheus Cavalheiro foi um dos caras mais simpáticos que encontrei no evento, um barato. Já o Caio Nogueira… eu só vou dizer uma coisa: o cara levou Valis 3 de Mega Drive para me dar de presente. Deixem essas palavras girarem no cérebro de vocês por alguns instantes.

No finzinho do evento, Eric Fraga nos presentou com a primeira “Live Live” da história dos videogames. Ele sentou para jogar Star Flight numa TV ali no local e começou a conversar animadamente sobre o jogo com a turma que estava ao redor. Ele trouxe o cartucho dele de casa, enfiou no Mega Drive, carregou o save e mostrou a todos porque aquele raio de jogo é tão especial para ele — o que imediatamente transformou o jogo em algo especial para todos, porque a empolgação dele era contagiante. Sério, ele chegava a cutucar as pessoas e dizer “olha só, olha só o que o jogo está dizendo”.

Quando o evento acabou, Mr. Cleber nos levou para comer numa hamburgueria. Como a essa altura o nosso grupo inicial havia crescido, tivemos que nos dividir em dois carros. No carro da frente, foram o Tiozão, Velberan e os excelentíssimos Rafael Marques e Flavio Leite. No de trás, um Uber, fomos eu, Cleber e Eric Fraga. Nota curiosa: enquanto conversávamos sobre o evento, o jovem motorista do Uber disse que adorava games, queria disputar campeonatos e coisa e tal. Ele não parecia conhecer nem o Gagá Games, nem o Cosmic Effect, e soltou um simpático “ah, acho que já ouvi falar” quando perguntado sobre a WarpZone. Nisso, o Cleber pega o celular para falar com a turma do carro da frente e, ao mencionar “Velberan”, o motorista muda: “Peraí, o Velberan tá aí? Sério? Jura?” ^_^

^ Da esquerda para a direita: Eric Fraga afanando meu casaco, eu, Cleber, Rafael Marques, Tiozão, Velberan e Flavio Leite na Le Burger

Encerramos a noite ali na Le Burger. Não, eu não estou ganhando para fazer merchan, mas o lugar é muito bacana. A decoração é nerd até a medula, com um monte de bonequinhos e bonecões, arcade de Metal Slug e hambúrgueres enormes com nomes como “Fatality” (o bichão com queijo, muito queijo que eu pedi). O dono do estabelecimento foi muito simpático com a gente. Sentou ali, fez umas piadinhas, até sacaneou os garçons e anotou os nossos pedidos ele mesmo porque os caras tavam demorando! E o papo rolando, a gente rindo um bocado, todo mundo contando “causos”. Foi dez, cem, mil. Todos que vocês estão vendo nessa foto aí, todos, contribuíram para deixar aquela mesa especial.

Aí foi fim de festa. Chegar no hotel, dar boa noite pro Velberan, tomar café na manhã seguinte com o Eric Fraga… coisa básica, besteira, um fim de semana como qualquer outro. Ok, claro que não foi. Foi um fim de semana colossal, estupidamente incrível, mas todos ali agiram como pessoas comuns, acessíveis, generosas, divertidas. Nunca vi tanta gente boa num período de tempo tão curto. Foi muito especial, e por isso eu faço questão de agradecer a todo mundo que teve paciência para aturar a minha tietagem, todo mundo que foi lá me dizer coisas bonitas, todo mundo que me deu um abraço e também aos organizadores do evento. Ah, claro, um agradecimento especial à WarpZone e ao Cleber, que me deram esse presente enorme. Obrigado mesmo, foi inesquecível.

Foto pelo talentoso Pedro Ivo Prates, do Club 16-Bit!

Hein? Fotos dos consoles, dos stands, dos palestrantes, do Mega Driver? Pô, gente, aí o post vai ficar enorme. Desculpem, mas eu tive que me focar na parte mais importante do evento: toda essa gente feia, muito feia — mas que resultou num dos dias mais lindos da minha vida. Até o ano que vem, pessoal!

Update: Mais fotos…

Pintaram mais algumas fotos do evento onde eu apareço com mais uma turma, vou colocar aqui também!

André Gomes (à esquerda) instantes antes de consumir 511 charutos com o excelentíssimo Marcelo Baja (à direita, instantes antes de roubar meu suco de uva por cima do meu ombro esquerdo). No meio, Julio Chiarini instantes antes de me odiar para sempre por confundi-lo com o cara que jogou Arcus Odyssey comigo e o supercolecionador de Master System Flávio Leite, instantes antes de se arrepender de me pedir um autógrafo (minha letra horrível de criança da 3ª série arruinou o Dossiê Master System dele)

Eu não disse? Pombas, Gagá, que raio de letra é essa! Vai fazer caligrafia, vai!

Grande Fabão, velho amigo e portador da única barba crocante do universo, e o Flávio Leite once again.

Junião, o magnata excêntrico do minicastle, Eric “Cosmonal” Fraga empolgadíssimo com a 637ª foto batida com ele no evento, o maneiríssimo Jardel “joguei Grandia e você não” PobreGamer e o Marcel do Minicastle que vai ter que negar que gosta de Mass Effect Andromeda até o dia da morte do Eric Fraga (piada interna, gente, desculpe aí quem não entendeu)

Gabriel Leocádio, amigo do Jorginho, que deve ter pensado “WTF, por que esse marmanjo feio pra caramba está chorando?” quando abracei o amigo dele

Eu e Ednilson “O Louco” José, que devia estar se sentindo em casa na insanidade reinante no Festival RGB